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Polícia Civil cumpre 33 mandados e desarticula cadeia de comando de facção em Campos de Júlio

Ação da Polícia Civil cumpriu 33 mandados judiciais em três municípios, mirando lideranças, setor financeiro e o tribunal do crime de grupo que agia em Campos de Júlio.

Publicada em 10/07/2026 às 17:49h - 40 visualizações

por Policia Judiciaria Civil MT


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 (Foto: Reprodução)

 A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (9.7), a "Operação Baba Yaga", uma grande ofensiva institucional para combater o crime organizado na região oeste do estado. A ação resultou no cumprimento de 33 mandados judiciais expedidos no âmbito de uma complexa investigação que apura a atuação de uma facção criminosa instalada no município de Campos de Júlio.

As ordens judiciais foram cumpridas simultaneamente em Campos de Júlio, Comodoro e na capital, Cuiabá. O principal objetivo da operação foi desarticular a cadeia de comando da organização, atingindo diretamente as principais lideranças, integrantes do "quadro disciplinar" (responsáveis por aplicar punições internas), operadores financeiros, gerentes do tráfico, operadores logísticos e os encarregados da comercialização de entorpecentes e da manutenção das atividades ilícitas.

As medidas cautelares foram decretadas pelo juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cáceres. O inquérito que embasou a operação foi conduzido pela Delegacia de Polícia de Campos de Júlio, cujas investigações minuciosas tiveram início em setembro de 2024.

Estrutura Corporativa e "Nomes de Fachada"

De acordo com o relatório policial, o grupo criminoso encontrava-se instalado de forma permanente na cidade, exercendo um controle rígido sobre a venda de entorpecentes e impondo um regime de violência à população local. Para manter a coesão e o controle, os integrantes eram submetidos à leitura obrigatória de um estatuto interno, pagamento periódico de contribuições financeiras e cumprimento estrito de ordens e determinações disciplinares baseadas em uma hierarquia rígida.

A investigação revelou que o grupo atuava de forma coordenada há vários anos. Com o avanço das apurações, a polícia identificou o uso de uma sofisticada estratégia de inteligência digital: a facção mantinha diversos grupos em aplicativos de mensagens instantâneas criados exclusivamente para o crime. Para tentar despistar o monitoramento policial, essas salas de conversa recebiam nomes comuns e insuspeitos, fazendo referência a estabelecimentos reais da cidade, como supermercados, lojas e escolas.

As análises técnicas apontaram que os suspeitos trocavam constantemente de apelidos, perfis e nomes de usuário nas plataformas. Além disso, adotavam procedimentos padronizados de segurança, como apagar conversas periodicamente e compartilhar, em tempo real, informações sobre a localização e o deslocamento de viaturas das forças de segurança.

Violência Extrema e Tribunal do Crime

O cruzamento de dados de diferentes procedimentos policiais, prisões em flagrante, operações anteriores e relatórios de inteligência permitiram desenhar o organograma completo e a divisão de funções da facção. As provas coletadas indicam que a organização utilizava de violência extrema para garantir o domínio territorial e punir severamente desvios de conduta de seus próprios membros.

Os investigadores identificaram diálogos explícitos que expõem o planejamento de homicídios, ocultação de cadáveres, sessões de tortura e autorizações para execuções sumárias determinadas diretamente pela cúpula da facção — o chamado "tribunal do crime". As apurações também apontaram indícios do recrutamento sistemático de adolescentes para atuar no tráfico de drogas e a utilização de estabelecimentos comerciais locais para a lavagem de dinheiro, ocultando a origem ilícita dos recursos financeiros arrecadados.

Além do forte impacto na estrutura logística e na quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos autorizados pela Justiça, a operação obteve resultados imediatos durante as incursões táticas. Sete suspeitos foram presos em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e diversas porções de entorpecentes foram retiradas de circulação.

A decisão judicial também inovou ao autorizar buscas e apreensões de caráter itinerante. Essa medida permitiu que as equipes policiais expandissem as buscas para além dos endereços previamente indicados nos mandados, caso fossem encontrados indícios correlatos no momento da abordagem. Todo o material eletrônico apreendido passará por perícia técnica para alimentar novas etapas das investigações.




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