
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (26), a Operação Silêncio Comprado, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de corrupção, desvio de verbas e fraude na gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, localizado em Campo Novo do Parecis. Ao todo, estão sendo cumpridas 20 ordens judiciais, que incluem mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de valores, quebra de sigilos telefônicos e aplicação de medidas cautelares.
A ofensiva é coordenada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e cumpre determinações do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias (Polo Tangará da Serra). Os alvos estão espalhados pelas cidades mato-grossenses de Campo Novo do Parecis e Arenápolis, além dos municípios de Barueri e Cotia, no estado de São Paulo.
O foco principal da ação é recolher provas para identificar a extensão dos danos e garantir o ressarcimento aos cofres públicos.
A investigação teve início após o Ministério Público receber denúncias graves sobre uma tentativa de interferência política. Segundo os policiais, os envolvidos teriam oferecido vantagens indevidas — o que deu origem ao nome da operação — para tentar calar e manipular os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI n.º 01/2025).
A referida CPI foi instaurada pela Câmara de Vereadores para apurar o colapso no atendimento e na administração do hospital municipal. A pressão pública e política para a criação da comissão começou após a trágica morte de uma jovem gestante de Campo Novo do Parecis. Ela sofreu graves complicações durante um parto cesárea na unidade, precisou ser transferida às pressas para Cuiabá, mas não resistiu e faleceu.
A partir dessa tragédia, familiares da vítima e moradores da comunidade iniciaram uma série de questionamentos sobre:
A precariedade da estrutura e do atendimento do hospital;
A regularidade na execução dos contratos de gestão da unidade;
Possíveis falhas no gerenciamento de recursos humanos.
Com o avanço das investigações da Deccor, a polícia descobriu que os problemas iam muito além do atendimento médico precário. Foram encontrados fortes indícios de fraudes financeiras na administração da unidade de saúde.
O inquérito apura o pagamento por serviços de saúde que nunca foram prestados, a emissão de notas fiscais falsas ou adulteradas, movimentações bancárias suspeitas e o desvio direto de dinheiro público que deveria ser destinado ao hospital.
Até o momento, os suspeitos são investigados por crimes contra a Administração Pública, com foco inicial em corrupção ativa, embora novos delitos possam surgir com a análise dos materiais apreendidos.
Para garantir o cumprimento simultâneo dos mandados em dois estados, a Deccor montou uma força-tarefa que contou com o apoio operacional da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), das delegacias locais de Arenápolis e Campo Novo do Parecis, além da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
A "Silêncio Comprado" não é uma ação isolada. Ela está inserida na Operação Pharus, que faz parte do planejamento estratégico global da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, focado no combate incisivo a organizações criminosas e à corrupção sistêmica em todo o território estadual.