

Uma megaoperação policial foi deflagrada nesta quarta-feira (8) para desmantelar uma organização criminosa especializada em sonegação fiscal de ICMS no setor pecuário. Denominada Operação Ganatum, a ofensiva é fruto de um esforço coordenado entre os Comitês Interinstitucionais de Recuperação de Ativos (CIRA) de Rondônia e Mato Grosso.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas. As ordens judiciais foram executadas simultaneamente em oito municípios dos dois estados:
Em Rondônia: Alvorada do Oeste, Colorado do Oeste, Presidente Médici e Seringueiras.
Em Mato Grosso: Araputanga, Jauru, Pontes e Lacerda e São José dos Quatro Marcos.
As investigações revelaram um esquema estruturado de simulação de operações comerciais envolvendo cerca de 30 mil cabeças de gado. De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava a emissão de notas fiscais falsas e "laranjas" (pessoas interpostas) para ocultar os verdadeiros beneficiários das transações entre produtores de Rondônia e destinatários em Mato Grosso.
Propriedades rurais eram usadas estrategicamente para dar uma aparência de legalidade a negócios que, na prática, eram incompatíveis com a circulação real do rebanho. Até o momento, a movimentação financeira identificada supera os R$ 44 milhões, com um prejuízo direto aos cofres públicos estimado em mais de R$ 7 milhões em impostos sonegados.
Durante as buscas, os agentes apreenderam documentos, dispositivos eletrônicos e efetuaram o bloqueio de bens valiosos, incluindo:
Veículos e imóveis;
Ativos mobiliários e criptoativos;
Valores em contas bancárias.
Na cidade de Jauru (MT), a operação resultou na prisão em flagrante de um homem por posse ilegal de arma de fogo.
A Secretaria de Estado de Finanças (Sefin) indica que o rombo tributário pode ser ainda maior à medida que os documentos apreendidos forem analisados. O nome da operação, Ganatum, faz referência ao lucro e ganho obtidos através da fraude investigada.
A ação contou com o apoio operacional da Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz-MT), do Ministério Público, da Procuradoria-Geral e das Polícias Civis de ambos os estados, reafirmando o combate rigoroso à fraude fiscal estruturada na região.