

A proposta que visa extingir a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso (escala 6x1) enfrenta um cenário de forte resistência na bancada federal de Mato Grosso. Dos oito representantes do estado na Câmara dos Deputados, pelo menos quatro já se manifestaram categoricamente contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que agora inicia sua tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
A análise na CCJ focará na admissibilidade de duas propostas apensadas: a PEC 8/25, de Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/19, de Reginaldo Lopes (PT-MG). Caso avance, o texto seguirá para uma comissão especial.
Três parlamentares mato-grossenses ocupam cadeiras de titulares na CCJ e terão papel decisivo na votação inicial:
Gisela Simona (União): Favorável à admissibilidade. A deputada, que assinou a PEC no ano passado, defende o fim da escala 6x1, mas prega cautela. "Vou lutar por melhorias no texto para diminuir a sobrecarga do trabalhador, mas sem onerar o preço final para o consumidor", afirmou.
José Medeiros (PL): Totalmente contrário. O parlamentar argumenta que a mudança provocará desemprego ou inflação. "Isso vai arrebentar no cara que precisa mais. Vai diminuir empregos ou quem produz irá repassar o aumento de gasto nos produtos", disparou.
Juarez Costa (MDB): Ainda não foi localizado para comentar oficialmente e consta na lista de deputados com posicionamento indefinido.
De um lado, o deputado Emanuelzinho (MDB), primeiro da bancada a assinar o projeto, vê a medida como um reflexo de demandas sociais históricas. Ele rebate as críticas econômicas citando conquistas passadas, como as férias remuneradas e a redução da jornada de 48h para 44h em 1988. "Sempre que se fala em garantir qualidade no trabalho, se enfrenta resistência", pontuou.
Do outro lado, a ala ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro mantém um discurso de rejeição total:
Nelson Barbudo (PL): Classificou a redução para 36 horas semanais como uma "aberração", afirmando que "não tem país no mundo que o patrão pague três dias para o funcionário ficar à toa".
Rodrigo da Zaeli (PL): Alega que o trabalhador usaria o tempo livre para buscar um segundo emprego e defende a flexibilização total, inspirada no modelo americano. "Se o cara quer trabalhar 16 horas, ele pode. Quem quer trabalhar menos, ganha menos", defendeu.
Coronel Assis (União): Rejeita o texto atual, exigindo um debate técnico mais profundo com os setores impactados antes de qualquer decisão.
A deputada Coronel Fernanda (PL) optou pela cautela extrema. Segundo ela, qualquer manifestação antes do texto final ser definido poderia gerar "prejuízo de imagem". A parlamentar afirmou que só se posicionará após análise técnica da redação que irá a voto.
| Parlamentar | Partido | Posição |
| Emanuelzinho | MDB | Favorável (Assinou a PEC) |
| Gisela Simona | União | Favorável (Com ressalvas no texto) |
| Nelson Barbudo | PL | Contrário |
| José Medeiros | PL | Contrário |
| Rodrigo da Zaeli | PL | Contrário |
| Coronel Assis | União | Contrário (Ao texto atual) |
| Coronel Fernanda | PL | Indefinida / Em análise |
| Juarez Costa | MDB | Indefinido |