

Sete pessoas foram presas preventivamente na manhã desta terça-feira (16) durante a Operação Cenário Montado Gyn, deflagrada pela Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de fraudes em licitações públicas na Prefeitura de Barra do Garças, município localizado a 509 quilômetros de Cuiabá.
De acordo com as investigações, os suspeitos fariam parte de um grupo criminoso envolvido em práticas como superfaturamento, direcionamento de processos licitatórios, uso de empresas de fachada, associação criminosa e corrupção. Entre os alvos da operação estão empresários, funcionários de empresas e servidores públicos municipais.
Foram presos Adenir Pinto da Silva, apontado como chefe do esquema; Lucimar Teixeira da Silva, responsável pela articulação operacional e documental; Rodrigo Mendes Moreira, que atuava na coordenação e fiscalização de serviços subcontratados; Luciana Costa da Silva, servidora da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças; Tayara Félix Alves Cardoso, identificada como fachada empresarial; Paulo Henrique de Freitas Pinto, representante legal de empresa considerada de fachada; e Elcio Mendes da Silva, servidor lotado no Gabinete do Prefeito.
Além das prisões preventivas, a operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão, determinou a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático dos investigados, a suspensão das atividades econômicas de duas empresas e o sequestro de valores superiores a R$ 4,2 milhões.
As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e estão sendo cumpridas no próprio município, além das cidades de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia, no estado de Goiás.
O prefeito de Barra do Garças, Adilson Gonçalves de Macedo (UB), decidiu pela exoneração de dois servidores municipais que se tornaram alvos da Operação Cenário Montado Gyn, deflagrada pela Polícia Civil na terça-feira (16). Ambos são investigados por suposto envolvimento em fraudes em processos licitatórios realizados pela administração pública.
Conforme apurado durante a operação, foram identificados indícios de superfaturamento que chegaram a 372,09% em diversos itens contratados, incluindo palcos, sistemas de iluminação, geradores, telões de LED e estruturas utilizadas em eventos. Além dos dois servidores, outras cinco pessoas teriam colaborado com o esquema e também foram presas ao longo da ação policial. Todos os envolvidos já foram devidamente identificados pelas autoridades.
As investigações são conduzidas pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças e tiveram início em janeiro de 2025. Inicialmente, o foco era apurar possíveis irregularidades em licitações no município de Pontal do Araguaia, a partir de informações repassadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo a Polícia Civil, o esquema envolvia empresas do setor de produção de eventos e shows, utilizadas para fraudar processos licitatórios que resultavam na criação de Atas de Registro de Preços. Essas atas eram posteriormente utilizadas por outros municípios por meio das chamadas adesões ou “caronas”, com valores elevados e indícios de direcionamento e simulação de concorrência.
Apenas nos três pregões investigados em Pontal do Araguaia, os valores globais chegaram a cerca de R$ 25,8 milhões. Conforme a legislação, as adesões poderiam alcançar até R$ 51,7 milhões, considerando o limite máximo de 200%. A polícia também apura indícios de que o mesmo modelo fraudulento tenha sido replicado em outros municípios da região do Araguaia.