

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da nova vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (26) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Produzido integralmente no Brasil, o imunizante será incorporado ao Programa Nacional de Imunização (PNI) e representa um marco no combate à doença.
Esta é a primeira vacina de dose única contra a dengue produzida no mundo. A avaliação técnica da Anvisa concluiu que o imunizante é seguro, eficaz e capaz de reforçar a estratégia de prevenção da doença em todo o país.
O Instituto Butantan já produziu 1 milhão de doses do imunizante, batizado de Butantan-DV, prontas para distribuição. A projeção é alcançar mais de 30 milhões de doses até meados do próximo ano. Com tecnologia 100% nacional, a vacina protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e é indicada para pessoas entre 12 e 59 anos.
Para expandir a capacidade produtiva, o Butantan mantém parceria com a fabricante chinesa Wuxi, o que permitirá ampliar a produção em larga escala.
Os números reforçam a urgência na ampliação da proteção: segundo o Centro de Monitoramento de Arboviroses, o Brasil registrou 6,6 milhões de casos prováveis de dengue no ano passado, resultando em 6 mil mortes.
O ministro Alexandre Padilha destacou que a dose única deve facilitar a adesão da população. A definição sobre a inclusão da vacina no calendário nacional de imunização será discutida na próxima semana. Segundo Padilha, a expectativa é iniciar a aplicação em grupos específicos já em dezembro:
“A partir de janeiro do ano que vem [a vacina estará] incorporada no calendário. Mas a expectativa nossa é que a gente possa começar, inclusive, a usar essa vacina com determinado público já a partir do mês de dezembro.”
Além da aprovação, a Anvisa e o Instituto Butantan firmaram um termo de compromisso que prevê a divulgação de estudos adicionais e o monitoramento ativo do uso da vacina na população.
O imunizante passou por um estudo clínico envolvendo mais de 16 mil participantes. A eficácia global foi de aproximadamente 74% contra a dengue sintomática — o que significa que, a cada 100 vacinados, 74 não contraíram a doença. A proteção contra casos graves chegou a cerca de 90%, reforçando o potencial da vacina para reduzir complicações e óbitos.
Com a aprovação e a ampliação da produção, o Brasil dá um passo decisivo na vacinação contra a dengue, reforçando sua estratégia de saúde pública diante de uma das doenças mais prevalentes do país.